Sobre a subjetividade do real e o Robin Hood latino

Os meios de comunicação nos fornecem informações contraditórias, o tempo todo. Foi uma bolinha de papel? Uma fita? Mandaram o cara fingir? Tomografia? Foi um ovni? É difícil saber ao certo. Para exemplificar o que estou tentando dizer, vamos utilizar o caso do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que teve seu governo e reputação enaltecidos por um documentário irlandês e difamados por diversas reportagens. Afinal, quem está falando a verdade? Qual informação é real?
 
Para responder a essa pergunta, primeiro é preciso pensar no que é realidade e como as pessoas lidam com ela, já que é difícil defini-la em qualquer ciência. Tomando como base o que aprendi, o real só existe na medida em que temos uma consciência dele. Na verdade, nós compreendemos a realidade como algo que construímos a partir do que compreendemos.

Mas é interessante ver como a gente dá credibilidade cega para os meios de comunicação quando eles falam sobre coisas que não vivemos. A realidade que a mídia nos transmite é automaticamente (e muita vezes de forma inconsciente) admitida como a verdade.

A primeira impressão que tive sobre o Governo de Hugo Chávez foi uma visão negativa transmitida pelas agências de notícia. Logo após, foi lançado o documentário muito interessante chamado “A revolução não será televisionada”, filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain. O documentário contradiz todas as notícias publicadas sobre o presidente e acusa os meios de comunicação privados de serem desonestos e difamadores. Alguns anos depois, o repórter Diogo Schelp da revista Veja mostrou uma nova visão sobre Chávez, comparando-o com o líder comunista Fidel Castro. E aí? Então, quem é o Hugo Chávez? O novo Robin Hood da América Latina? Um ditador? Um Lula mais feio?

Grande parte da população brasileira não costuma assistir documentários irlandeses, portanto a informação que mais circulou no país foi o lado negro do governante venezuelano, deixando a opinião pública contra ele.

Assim, surgiram comentários como “a Veja é de direita” ou “esses Irlandeses eram amigos do Chávez”, e uma dúvida: o jornalista pode ser parcial? Respondendo minhas próprias indagações, acredito que todos os profissionais de comunicação não devem ser indivíduos imparciais. Eles devem ter uma posição política e ideológica frente a certo dado da realidade. Só que essa posição deve ser fundamentada numa honestidade intelectual, pois isso é o que dá credibilidade a um profissional em qualquer lugar do mundo.
 
Posições antagônicas nem sempre são controversas. Sempre há diversos pontos diferentes em um mesmo fato. O diferente não é necessariamente uma versão falsa. A verdade é que o jornalismo usa a linguagem para representar um fato. Essa é sempre uma reprodução simbólica de um acontecimento, e não o acontecimento em si. A seleção de idéias começa quando montamos uma narrativa. Essa subjetividade inclusa na narrativa com a seleção de idéias, não é prejudicial ao leitor, como costumamos pensar, mas é condição do homem viver na e pela linguagem.

"Si" escrito por venezuelanos que querem a saída de Chavez do poder

"No" escrito por venezuelanos que não querem a saída do presidente

@thaisguin

Sobre a Moda, Woody Allen e Gordura Localizada.

Minha promessa de campanha é que qualquer crítica feita neste post não tem como alvo uma pessoa, mas sim uma entidade. Caso você se reconheça e se ofenda já ficam aqui minhas sinceras desculpas.

Abaixo segue uma ficção que vai facilitar a abordagem do tema.

Amiguinhos saindo da sala de cinema depois de terem visto um filme qualquer do Woody Allen:

Joãozinho: sei lá, nem gostei muito do filme (ele não sabe quem é Udiálem).

Zequinha: ah eu achei firmeza.

Carlinhos que já conhecia Udiálem através dos amigos: CALABOCA Joãozinho, o filme é mó bom, puta crítica.

Mariazinha que é bem paulistana: CARALEEEOOO Udiálem é MUITO PHODAAAA. (Mas ela gosta mesmo é de Titanic)

Juquinha que não faz a barba desde os 12, usa camisa xadrez e óculos de grau retrô mesmo sem precisar e é contra calça jeans e ditados populares: É que você não entendeu Joãozinho, pra entender tinha que ter assistido o que ele lançou em 74 depois o de 92 e depois o de 87, nessa ordem e ter lido a entrevista dele na primeira edição da revista Piauí.

O Joãozinho em outras épocas já tinha mandado todo mundo tomar no cú porque ele queria mesmo era só pegar a Mariazinha, mas lembrou que no dia seguinte veria um filme do Almodovar com a mesma galera e decidiu ver o próximo filme com um olhar mais crítico e foi aí que ele se perdeu.

É interessante como as pessoas querem mostrar que sã0 entendidas do que está na moda. O Paul McCartney está no Brsail para alguns shows e muitos dos que compraram ingresso estão agora ouvindo todas as músicas pós-Beatles para não se sentirem mal no show. Assim como eu fiz um pouco antes do show do Eric Clapton em 2001 no Pacaembú, mesmo assim, quando ele tocou Layla eu fiquei puto de não ter aprendido aquela que era um dos maiores sucessos.

O problema não é o show em si, mesmo porque eu só conheço uma música do Paul e gostaria de ir. O que me desperta um leve asco é a vontade de mostrar para outrem que se é o único entendido do assunto através de vãs filosofias.

Mulher entende de maquiagem, de roupa, de culinária de gordura localizada e elas não tentam provar nada para quem não conhece do assunto, filosofam entre elas.

Homens podem passar dias falando sobre a última rodada do brasileirão, eles tem dados estatísticos, nomes atuais e do passado, quem está pendurado e quem não está, entretanto, essas conversas se estabelecem sempre entre conhecedores do esporte.

Por isso, meu sonho é acabar com a obrigatoriedade de análise crítica cinematográfica em qualquer rodinha e instituir a cultura de julgarmos um filme apenas como bom ou ruim, gostei ou não gostei.

@LeoBorrelli

Sobre a Sinceridade

Esse blog praticamente sobrevive as custas de “voltar a funcionar”, acho até que se ele funcionasse adequadamente, como qualquer outro blog, iriamos desistir de escrever. Afinal, onde estaria o ímpeto para VOLTAR A ESCREVER?

me: boa tarde Sent at 2:25 PM on Monday

Interlocutor: boa tarde tudo bem? Sent at 2:47 PM on Monday

me: sim…. tuuuudo certo.. e contigo?

Interlocutor: tudo certo também que estranho vc vindo falar comigo ahahahah algum assunto em específico? ou política da boa vizinhança googletalkiana?

me: putz… nao.. to te usando, desculpa. hj as coisas estao meio paradas aqui no estagio, e ainda nao da pra dar aquele migué e ir embora. ai estava vc ai.. “redonda e verde”, available.. pensei cá com meus botoes… vai q ela me ajuda a passar o tempo mais rapido… fica tranquila, é coisa de meia hora Sent at 3:00 PM on Monday

Interlocutor: ahahahahahahahahhahaahahahahahahahahahahhahahahahhahahahahahaahahahahhahahahahahahahaah aprecio a sinceridade acho que posso me deixar ser usada por algum tempo onde vc dfaz estágio? me: ah… sempre tera sinceridade vindo de mim.. bem, na verdade.. mentira (isso é sincero) afinal, quem é sincero sempre ne? nao que nao seja bonito ser sincero, pelo contrario, muito louvavel.. maass… as vezes a gente simplesmente nao consegue

Interlocutor: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk o pior é que eu to no meu trabalho e eu to me controlando muito pra não rir loucamente ahahahahahahahh seria meio retardado da minha parte ms tá difícil de segurar com as suas colocações sobre sinceridade mas é fato não dá pra ser o tempo todo seu trabalho deve ser mto chato mesmo.. hahahahahah ou vc é eficiente e terminou rápido

me: naaoo.. nao dá.. perde a magia de se relacionar com as pessoas… Sent at 3:05 PM on Monday

me: na verdade, acho q é sempre mais saudavel ter ai um mix de sinceridade.. e nao tao sincero (mas nao assim “nao sincero” mentiroso… um “nao sincero” omitindo algumas coisas, pra deixar aquela coisa mais misteriosa).. sei que parece um discurso meio de vagabundo… mas.. trabalho nao é bom em si ne?

Interlocutor: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

me: se nao teria outro nome… quem sabe, “lazer remunerado”

Difícil não ser sincero. Mais difícil ainda é ser totalmente sincero. Deve existir ai uma combinação ótima, que ainda não foi descoberta *Já que o texto foi retirado do Gtalk – ferramenta onde seus usuários não prezam por corrigir seus erros ortográficos e similares – os erros ai encontrados foram deixados.

@suedekum

Volume II

Já faz algum tempo que este blog foi criado a partir das idéias de inúteis que tinham algum propósito. Isso não importa muito agora porque ao que quase tudo indica este sítio está inativo e não passa de um antigo blog que não deu certo. Mas isso é o que quase tudo indica. O que vocês, leitores ou curiosos não devem saber é que após 7 meses de inatividade temos uma média não decrescente de incríveis 126 visitas mensais. 4,2 pessoas por dia. Isso me enche de um sentimento que não sei explicar se é orgulho, curiosidade ou espanto.

Não acredito que 4,2 pessoas estejam buscando novas informações todos os dias. Informação é o que não falta, quanto mais você entra em sites de notícias mais parece que você já sabe o que vai ter lá. O UOL todo mundo já conhece, tem tanta informação que você se perde. O Globo.com é muito previsível, dividido em 3 colunas, na da esquerda sempre vai ter algum link que você não vai resistir em clicar por tamanha bizarrice ali anunciada. Na coluna da direita quando não é a Nana Gouveia é a Nicole Bahls, mas sempre uma delas deixa escapar o biquini na frente do fotógrafo.  O site do Terra já é um pouco mais grave, transforma notícias simples nos maiores acontecimentos da década. Ou seja, não é por falta de informação em seus mais variados estilos que entram aqui.

Talvez 4,2 pessoas busquem todos os dias opiniões sobre as informações que recebemos. O tal do vazamento no Golfo do México, não sei o que dizer sobre aquilo, até me interessei bastante no assunto, mas não tenho uma solução, não sei o que poderiam ter feito para aquilo não acontecer, não tenho opinião, só sei o que se passa. E isso acontece também com esses ataques a barcos que tentam chegar até Gaza, seria muita pretensão minha tomar partido e decidir de fato quem está errado.

O que importa de fato é que em homenagem às 4,2 pessoas que acabam caindo aqui sem querer todos os dias estamos planejando retomar nossas atividades, sem pressão. As vezes sem opinião também, só um olhar pessoal dos fatos ou idéias que nos ocorrem. Sejam novamente bem-vindos.

O planeta Terra no Cheque Especial

Eu estou cansado de ouvir falar sobre aquecimento global, metas de redução de emissão de carbono, atitudes ecologicamente corretas e etc. Vou tentar transmitir a minha indignação quanto à maneira que este assunto é tratado.

Lembrando que esta é uma visão passional e que eu não sou a pessoa mais indicada pra discorrer sobre esse tema porque temos uma dinossaura especialista em questões ambientais (que ainda não se pronunciou).

Vamos supor que você tenha na sua conta bancária certa quantia de dinheiro e que você consiga viver com o rendimento deste montante. Se você gastar menos do que seu rendimento você nunca ficará sem dinheiro. Porém se você gastar mais que seu rendimento, esse montante diminuirá até acabar e então entrará no Cheque Especial. O que seria ruim, pois mesmo que você parasse de gastar, os juros do Cheque Especial criariam uma dívida que não poderia ser paga. A menos que se depositasse uma nova quantia.

Com o planeta Terra é a mesma coisa. Ele tinha um patrimônio inicial que se refazia automaticamente devido ao uso sustentável (o verdadeiro porque hoje tudo é chamado de ‘sutentável’). Esse ‘rendimento’ do patrimônio terrestre se dava enquanto as pessoas plantavam o que comiam, usavam os bens naturais disponíveis para simples sobrevivência.

Então vieram as superficialidades. Sabem o que é superficialidades? É o mundo nessa papagaiada de aquecimento global gastar cada ano mais com as malditas luzes de Natal (isso devia ser proibido por lei). É o Brasil tendo que apresentar sua proposta de redução da emissão de carbono pro mundo, mas por outro lado incentivando de todas as maneiras os consumidores a comprar mais neste fim de ano. Gerando mais consumo (de superficialidades) e assim aumentando as emissões de carbono. Mas esse texto não é sobre hipocrisia.

A partir do momento em que os gastos do planeta começaram a ficar maiores do que sua força de autorreposição esse patrimônio diminuiu. E diminui. E continua diminuindo. E já está no vermelho, no Cheque Especial. Um dos juros seria, hoje pelo fato do aquecimento global ter derretido as geleiras a tendência é de esquentar cada vez mais e conseqüentemente derreter cada vez mais as geleiras. Outro, se as florestas já perderam uma quantidade tão grande de sua flora natural, essa perda já influenciou o clima local e isso não permitirá que ressurja a mesma floresta automaticamente.

Em resumo, a minha opinião é que ‘já era’. Pela Terra ter entrado no Cheque Especial não sairá mais e a tendência é só acelerar progressivamente o processo de autodestruição. E aí vem minha indignação quanto ao culto hipócrita a favor do meio ambiente enquanto se permite a morte de pinheirinhos para colocarmos na nossa sala sobre o resultado do nosso consumo exacerbado, os presentes de Natal. E neste cenário, deveríamos parar de falar sobre isso e esperar pacientemente os próximos 30 anos (minha profecia) até colapsar.

leo borrelli

“E o que não foi não é”

Ouvi a frase título desse texto em uma música, que me levou a refletir sobre a nossa condição. Afinal, o que significa “ser”, ou melhor, o que significa “ser”  humano?

Essa qualidade do ser, totalmente imprecisa e inacabada, acaba por definir aquilo que somos, humanos. Pura contradição definir algo por sua indefinição.

Todos nós, de uma forma ou outra, passamos boa parte do tempo refletindo sobre o que somos, sobre o modo que enxergamos e sentimos o mundo. Ocorre que essa própria reflexão já está condicionada a toda carga de valores e conceitos  por nós assimilados ao longo de nossas experiências desde o nascimento. E isso faz com que enxerguemos e sintamos o mundo de uma forma única,  particularmente real.

E quanto mais  experiências tivermos (tempo de vida) tanto mais valores e conceitos assimilaremos, os quais continuarão condicionando a nossa visão daquilo que entendemos por realidade.

Por isso, inegavelmente o “ser” humano é fruto do que ele foi, em uma constante dinâmica mutante, ao ponto de a cada manhã, ao acordar, nascer um novo “ser”, um novo mundo, real para cada um de nós. Não sou hoje aquilo que fui quando tinha 15 anos de idade, meu modo de pensar é totalmente diferente do modo pelo qual pensava há 10 anos atrás, mas só sou o que sou hoje (no sentido fático), pelo que fui.

Agora, se houvesse a possibilidade de voltarmos atrás para mudar algumas das experiências pelas quais passamos, por piores ou melhores que tenham sido, por piores ou melhores consequências que nos tenham advindo a partir delas, será que valeria correr o risco de deixar de ser o que somos, mesmo sem saber quem seríamos?

Não residiria nesse desejo um certo tipo de instinto suicida da personalidade decorrente de uma profunda insatisfação com o modo pelo qual enxergamos e sentimos as coisas? Querer mudar experiências passadas, não revelaria de alguma forma o desejo de ser alguém que não somos?

Por outro lado, nós constantemente desejamos mudar o futuro, pra melhor, e de onde será que decorre esse desejo, teria ele a raiz na insatisfação ou apenas na possibilidade de se desenvolver cada vez mais ao ponto de enxergar e sentir a vida de modo cada vez mais pleno, ou ainda, decorreria de um mero instinto de sobrevivência?

Cada um tem uma resposta para essas profundas questões, nenhum capaz de qualquer comprovação científica, mas, como tudo, respostas geradas por mentes condicionadas à carga individual de valores e conceitos adquiridos ao longo da vida.

Mas são essas profundas diferenças individuais que nos caracterizam como humanos, como seres únicos, de valor inestimável. E em meio a toda essa complexidade, necessidades comuns a todos esses seres nos impelem a nos relacionarmos, nos obrigam a sermos capazes de aceitar o diferente mundo do outro ser, criado a partir de experiências totalmente diferentes,.

Há algo de maravilhoso, de milagroso nesse ser, sua capacidade de admirar e aprender com o mundo alheio, e assim, novamente, condicionar sua realidade a partir das influências geradas por essa nova experiência de integração com o outro universo, gerando um novo mundo particular e assim sucessivamente, numa troca individual e coletiva. Para esse fenômeno, creio que exista um nome, amor.

Mauro Catanzaro

Chutou, bateu e é gol.

Hoje eu fiz um relacionamento conjugal se esvair e você já saberá o porque.

Meus caros, é impressionante o que acontece com as pessoas depois de uma rodada importante do campeonato. Não ache que eu estou exagerando ou que eu estava sem assunto pra escrever. Eu quero realmente colocar o futebol no lugar que ele merece baseado somente nos fatos de ontem e nas repercussões de hoje.

Ontem houve vários jogos do Brasileirão que influenciaram diretamente a tabela do campeonato e o humor das pessoas. Após o término dos jogos, no mínimo 3 canais (abertos e fechados) transmitiram por horas programas que reviam o que tinha acabado de acontecer. Nesses programas as imagens dos jogos ficavam sendo repetidas e os comentaristas expelindo gotas de sabedoria sobre os times, seus jogadores e a arbitragem. Faziam referência a jogadores passados, campeonatos anteriores e tentaram prever o futuro.

Acordei mais cedo hoje porque às 7 da manhã começavam as vendas dos ingressos do meu time para um campeonato que só vai acontecer no ano que vem. Fiquei uma hora em frente ao computador por causa do congestionamento no site e cheguei 40 minutos atrasado no meu trabalho por isso. Mas veja como é o futebol. Nesse caso, o atraso não me prejudicou porque meu chefe torce pelo mesmo time que eu e me parabenizou pela compra com sucesso. Outras 30 mil pessoas tentaram comprar esse ingresso e congestionaram o site de tal maneira que tiveram que ser suspendidas as vendas.

No meu departamento trabalham umas 60 pessoas sendo a maioria homens. Todos, simplesmente todos com quem conversei hoje me falaram algo sobre futebol, a rodada do fim de semana, cada um com sua opinião. Sem contar, o taxista, o cobrador de ônibus, o porteiro. Aliás o meu querido porteiro Valmir é quem me atualiza diariamente sobre julgamentos e suspensões no STJD (justiça desportiva).

A segunda-feira parece ter um gosto especial em que as pessoas se tornam mais amigas e simpáticas e outras dependendo do resultado se tornam mais rabugentas e injustiçadas pela decisão de um árbitro.

No fim da tarde de hoje, depois de ter ouvido todos os comentários e reclamações possíveis, uma jovem amiga, casada, e simpática veio me contar que seu marido também foi um dos felizardos que puderam comprar o ingresso para os jogos do próximo ano. Em meio a conversa que tive com ela descobri que o setor que ele iria custava R$ 200,00 cada ingresso e ele comprou para três jogos. Eu inocentemente falei sobre esse preço com ela. Minha amiga se transtornou. Deixou cair um copo com água, entendeu porque seu marido não tinha dito quanto custava o ingresso e que a partir daquele momento não daria mais um centavo na reforma da casa. Eu fiquei um pouco preocupado no momento e tentei consertar, mas já era tarde. Talvez esse casamento acabe, mas o que importa é que ele já tem seus ingressos garantidos. E eu também.

l e o

Tempo Louco

Sei que o assunto já é batido, mas penso que pouco explorado. A tal da conversa de elevador. Aqueles poucos momentos, muitas vezes constrangedores, revelam aspectos profundos da natureza humana, a esquizofrenia natural de cada um ou dois de nós.

O momento está ali, você abriu a porta e viu que existe uma pessoa dentro do elevador. A mente, com a vida própria que possui, já entende o quadro e se incomoda “droga, logo um ser humano dentro desse elevador”, mas você sorri e diz: “bom dia”. Após esse momento vêm um silêncio bastante constrangedor, você olha para baixo, e sua mente insana não consegue pensar em mais nada a não ser no fato de que você está sozinho em um elevador com outro ser – humano que não tem nada a ver com sua a vida, a não ser o fato de estar naquele elevador com você.

Mesmo com o abismo existente entre você e a outra pessoa, a mente, que não se cansa de viver por si, começa a obrigar o seu outro eu (esquizofrenia pura) a ser simpático, a mostrar algum tipo de empatia, mostrar que você é capaz de amar. Então, ainda dentro dos dois segundos após o “bom dia” a mente percorre os caminhos mais profundos de nosso ser, buscando um assunto que seja cabível naqueles 15 segundos de subida até  se chegar o andar de destino.

A partir de então a mente envia todos os assuntos conversáveis em 15 segundos, e cabe ao seu outro eu, que vou chamar de “você”, decidir a pertinência de cada assunto “enviado”, mais ou menos da seguinte forma:.

Mente: -Ou, tem um ser-humano no elevador.

Você – Já vi, que horrível.

Mente – Não vai falar com ele?

Você – Falar o que?

Mente – Não sei, você são humanos, acho que isso já é ter bastante coisa em comum pra conversar, só não dá pra ficar quieto.

Você – Mas não tenho o que falar, nem conheço o cara.

Mente – Mas parece ser uma pessoas interessante, e deve ter dinheiro, talvez você devesse falar, pode render frutos pra você.

Você – Mas eu não sou tão interesseiro assim.

Mente – É sim.

Você – Não sou, gosto de ajudar as pessoas, sem interesse próprio.

Mente – Mentira, mas tudo bem. Já que você gosta de ajudar, essa pessoa parece estar triste, pergunta como ela está.

Você – Não, e se ele não estiver bem, vai ser obrigado a mentir, eu  reponderia que está tudo bem mesmo se eu tivesse em depressão.

Mente – Por que, né?

Você – Não sei também.

Mente – Bom, ele tem visto toda a fome e miséria do mundo, afinal estamos todos no mesmo barco, e se ele estiver sensível com tudo isso, e esteja desejando um abraço, seria inesquecível para ele, hein?

Você -  Nunca daria um abraço em alguém que não conheço, mesmo parecendo que realmente é o que ele precisa, que mente louca.

Mente: Por que?

Você  -  Não sei, é estranho.

Mente – Mas você às vezes não quer um abraço?

Você – Sim, mas de alguém que eu conheça.

Mente – Mas e se ele for sozinho?

Você – Problema é dele.

Mente – Nossa, isso porque você diz que gosta de ajudar aos outros.

Você – Chega, por isso odeio elevador, nunca dá pra saber como agir com outro ser-humano, e ainda tenho que ficar refletindo sobre mim mesmo.

Mente – Então é só ficar quieto, chatão.

Você – Ficar quieto vai parecer que sou antipático, e que não tenho nenhuma empatia por esse ser, que tanto me incomoda no momento.

Mente – Mas você não tem.

Você – Pode ser, mas e aí, tenho que dizer alguma coisa.

Mente – Ah, fala de algo sem importância, comum a todos, assim você mantém sua imagem de pessoa simpática, e não se compromete com a vida do outro, e esse momento vira um momento neutro.

Você – Genial, esse momento é realmente neutro, não tem importância nenhuma. Mas posso falar qualquer coisa?

Mente – Qualquer coisa.

Você – E esse tempo hein? Está uma loucura.

Ser-humano – É verdade, mas parece que no final de semana vai abrir…

 

Mauro Catanzaro

“Eu tenho personalidade”

Antes de qualquer coisa, peço licença para fazer algumas generalizações. Sem essas seria impossível tratar de qualquer assunto, expor qualquer idéia. É verdade que para tudo existe uma exceção. Mas é verdade também que a própria existência de uma exceção acaba por confirmar a regra da qual ela foge.

Interessante é notar que a publicidade entra nas nossas vidas como uma grande auxiliadora, uma boa samaritana. Ela não apenas abre meus olhos para mostrar que, talvez por déficit de atenção ou má percepção, eu não notei que preciso de determinado produto/serviço, como ela em determinadas ocasiões me ilude fazendo com que eu acredite que necessito de algo que na verdade não faria nenhuma diferença na minha vida. Ó prezada Publicidade, não te culpo! Seria muita demagogia da minha parte assim fazê-lo, já que, não recrimino hienas por devorarem filhotes de gnus na savana africana. Elas são até sorridentes, bem simpáticas.

A publicidade explora o consumidor simplesmente porque este se permite ser explorado por ela. Parafraseando Jorge Ben Jor, para se acabar com a malandragem deve-se prender todos os otários.  A publicidade se aproveita do fato que as pessoas em geral apenas reproduzem um discurso pré-pronto, uma idéia já elaborada. Não sabem realmente seus gostos, o que almejam e nem o que querem. Se hoje são tratados como “únicos” é porque “está na moda” ser autêntico, ser diferente, ou como se é usado recorrentemente – e, diga-se de passagem, pateticamente –, ter personalidade.

Só quero ser tratado como singular porque todos assim o querem e como num belo efeito manada tenho que seguir a todos sem saber o motivo. O ser humano não quer ser único, ele quer ser igual. Talvez isso nem seja um problema. O problema é acreditar que se é especial quando na verdade não o é. Acreditar que tem uma opinião quando na verdade não a tem.  Não que não se seja correto possuir opiniões iguais, mas a partir do momento que essa opinião não for pensada, ela não é sua, logo, você está apenas reproduzindo algo que não faz idéia do que seja. A publicidade apenas se aproveita dessa ilusão que muitos possuem de que merecem algum valor. De que merecem um tratamento especial, quando na verdade estão sendo tratados como a grande massa… Que é amorfa, fácil de ser moldada e mudada, passiva. A publicidade é culpada? Não, na verdade é bem sábia.

gui suedekum

Feito pra você!

 Não entendo direito o que passa na cabeça dos publicitários quando eles criam aqueles anúncios e slogans personalizados como: “O Itaú foi feito pra você”, “Porque você vale muito” (L’Oréal), “Dedicação Total a Você”, “Você em primeiro lugar”, entre muitos outros. A questão é: se o Itaú foi feito pra mim, por que esse anúncio está sendo transmitido pra todo mundo no intervalo da novela das oito? Por que não dizer logo que o banco foi feito pra todo mundo que puder pagar as tarifas?

 Toda essa “aproximação” da publicidade com o consumidor não ficou presa aos slogans e comerciais da TV. Os comunicados do cartão de crédito, de lojas que você comprou roupa só uma vez na vida e demais correspondências que recebemos em casa, por exemplo, têm o nosso nominho ali digitado, com o intuito de fazer gente se sentir especial. Acho o máximo quando recebo e-mails do Submarino me chamando de Thatá. “Oi Thatá, temos ofertas exclusivas e secretas e personalizadas somente para você neste e-mail”. Teve até um dia que ele teve a cara de pau de dizer: “Não espalhe. É só pra você!”

 Meu primeiro pensamento foi achar aquilo bacana (humm.. somente pra mim!!), mas logo me senti um pouco subestimada. Será que ele pensa que eu realmente acreditei nessas ofertas übberexclusivas? Ou será que estamos tão carentes de atenção e de contato com as pessoas que um “chamego online” pode realmente chamar nossa atenção a ponto de nos convencer a consumir? É aquela velha história: quanto mais a tecnologia e a informação evoluem, mais as pessoas se sentem sozinhas no mundo. As relações virtuais, a rotina frenética, o trânsito, acabam tomando o tempo daquelas longas conversas na calçada com o vizinho ou simplesmente daquele tempo gostoso que temos quando estamos entre amigos.

 Gosto muito da internet e confesso que não sei o que seria de mim sem o Google. No entanto, minha opinião de dinossaura é que as pessoas passam tempo demais atualizando facebooks, twitters e afins, e acabam perdendo momentos da vida que dariam ótimos posts.   

 A propaganda, então, aproveita para seduzir as pessoas carentes que vão preencher o vazio com o consumo! Seria isso? Acho que não. É muito simples pintar o marketing como a causa de todos os males do mundo e esquecer-se do egoísmo humano. A gente tem que confessar que gosta de exclusividade e acaba dando menos valor para aquilo que é coletivo, que todos têm acesso. E foi por isso que escrevi esse texto personalizado pensando em você!

Guin